Manias & Costumes

Volta e meia me pego comparando os costumes entre as terras mais distantes, como é o caso do Brasil e a Suíça. Tão distintos em clima e cultura. Há quem diga que não tem nem comparação! Porém, como minha exposição aqui não se trata de nenhuma competição podemos nos debruçar sobre alguns fatos que eu considero curiosos.

Logo ao chegar em Zurique, a maior cidade da Suíça, vi uma cena chocante: um bonde acabara de atropelar um idoso. Mas o que me chocara não era o idoso estendido no chão com o sangue a escorrer de sua fronte, e sim a total apatia dos transeuntes que educadamente se juntavam ao redor do combalido. O silêncio era fúnebre. O público impassível. Parecia mesmo que já haviam enterrado o moribundo. Não pude deixar de fazer tal comparação. Se fosse no Brasil, em qualquer grande cidade o tumulto já estaria instalado. Correria, gritinhos, tentariam os primeiros socorros e os funestos comentários: “Esses motoristas de bondes são uns abusados! Eu vi tudo” diria uma senhora indignada. “O homem nem olhou para os lados antes de atravessar…” diria outra. “Afastem-se, por favor, deixem o homem respirar”.  “Olhem, ele está se mexendo”.

Um outro costume é a pontualidade suíça. Este, desde o começo, eu fiz questão de adotar. Um método inteligente que poupa tempo, hoje em dia tão escasso. Aliás, em território helvético ninguém pode ficar indiferente a pontualidade. Atrasar-se em um compromisso na Suíça qualquer minuto que seja é uma declaração de guerra. Já em terras tupiniquins, uma hora de atraso é perfeitamente tolerado. Chega a ser chique para pessoas importantes.

Ligar depois das oito da noite na Suíça, nem morto. Só em caso de extrema gravidade. Se o telefone tocar às nove horas da noite, nós nos preparamos para o pior: Quem será à uma hora dessas? No Brasil, se ligamos até as dez, ainda estamos no prazo da boa etiqueta. Mesmo que a conversa se estenda até as onze horas…

Mas, entre os suíços o costume que já virou mania é ligar às oito da manhã. Parece chique ligar cedinho. É como se dissessem: “Olha só, você foi o primeiro a ser lembrado”. Geralmente são empresas, serviços ou até mesmo os colegas e amigos, mui amigos. E eles nos interpelam sem cerimônia alguma. E vendo tamanha empolgação, eu me pergunto: O que poderia ser tão importante que não pode esperar até às dez? Ora, faça-me o favor.

Marcelo Candido Madeira

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