Língua portuguesa com certeza

Os azulejos trazem um ar nostálgico que me enche os pulmões. Sempre que me encontro em Portugal sou tomado por um lirismo que embebe o sangue. Ruelas contam estórias seculares. Sebos de livros guardam cartas de amores e aventuras além-mar. Antiquários exibem móveis impetrados de espíritos esperançosos. Monumentos e paralelepípedos são testemunhas de tempos áureos.

Tudo isso me faz refletir nosso passado em comum e a origem de nossa língua, o português. E aproveito minha estada em Portugal para comparar os nuances do português europeu e americano. Sim, pois não dizem que falamos a mesma língua? Eu mesmo não estou convencido disto e tratei de passar um dia falando português, português de Portugal.  E foi assim:

Saí de casa com o sol já a se levantar, vesti meu fato, apanhei meus óculos escuros, não, desculpe lá, óculos fumados e ao pé de casa tomei o autocarro. O trânsito era mesmo uma seca, havia muito engarrafamento por causa dos beneficiamentos e, como se não bastasse, em todas as paragens subiam e desciam utentes. Lisboa era um caos no mês de Dezembro, toda a gente na rua a aproveitar os saldos e a cada montra um Pai Natal.

Desisti do compromisso e desci no Rossio. Levantei algum dinheiro no multibanco e lá acabei por encontrar o Manuel. O dia estava fixe e decidimos decretar feriado.  Peguei uma boléia em sua carrinha e fomos para uma zona mais tranqüila. Estacionamos em frente a uma  esquadra e caminhamos ao fim da rua onde encontramos um bar bem giro. Lá encontramos a malta a troçar do Joaquim que estava com o braço magoado, esse por causa de uma rapariga, distraiu-se ao volante e esqueceu-se do travão. Tentei comprar cigarros, mas a máquina estava avariada. Manuel me ofereceu um dos seus e pedimos ao garçom o lume e duas Imperiais.

Passamos a tarde a beber e a conversar e depois de idas e vindas à casa de banho pedi uma bica pra cortar tamanha bizanha. O telemóvel do Joaquim tocou: Tô? Era o João Maria a nos avisar que hoje há noite de fado com chouriço no Bairro Alto.  Apontamos a morada e partimos com pressa para chegar a tempo de apanhar um bom sítio.

Bom, e depois desta experiência resolvi apenas falar e escrever no meu bom e velho português do Brasil.  E ainda há quem diga que falamos a mesma língua. Ó pá! Raios que o partam!

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