O Princípio da Complementaridade de Bohr

1905 – A explicação do efeito fotoelétrico evidenciava a existência dos fótons, as partículas de luz. Isso gerou um certo mal-estar na comunidade científica.

Afinal de contas, a luz é onda ou partícula?

Ambos os modelos estão corretos; a luz é onda e partícula. Porém, essa questão ainda era tida como mera especulação até 1923.

Foi quando, Louis de Broglie trouxe a hipótese da dualidade onda/partícula bem fundamentada matematicamente e seu trabalho teve grande repercussão. Einstein chegou a comentar: “O trabalho de De Broglie causou-me grande impressão”.

Mais tarde, em 1927, os cientistas C.J. Davisson e L. H. Germer tentaram derrubar a hipótese de De Broglie, mas o que conseguiram foi justamente o contrário. A hipótese de De Broglie foi finalmente confirmada. A matéria apresentava comportamento ondulatório e corpuscular.

Porém, esse assunto sobre o comportamento dual da matéria já era antigo.

Em 1887, o físico inglês J.J. Thompson, a partir de estudos com elétrons, já havia comprovado que elétrons eram partículas eletrizadas e não ondas eletromagnéticas como se acreditava. Foi o seu próprio filho George Thompson que mais tarde comprovaria o comportamento ondulatório do elétron, faturando assim, o Prêmio Nobel de Física de 1937.

A essa altura, já estava caro que a matéria, sim, tem comportamento corpuscular e ondulatório. A matéria é dual, ora se comporta como onda, ora se comporta como partícula.

Essa situação, extremamente constrangedora para uma ciência materialista só foi esclarecida com o Princípio da Complementaridade, criado por Niels Bohr.

O Princípio da Complementaridade afirmava que, no nível quântico, ambos os aspectos corpuscular e ondulatório são necessários para a descrição completa do Sistema estudado.

Anos mais tarde, em 1947, ao ser condecorado pela sua contribuição à ciência na Dinamarca, Niels Bohr escolheu para o seu brasão de armas o símbolo do Taoísmo, o Tai Chi acompanhada da inscrição em latim; Contraria sunt complementa (os opostos são complementares) numa clara referência ao par arquetípico chinês Yin e Yang.

O fato foi largamente retratado, em 1975, no livro “O Tao da Física” de Fritjof Capra. Pois justamente, com aquele gesto Nils Bohr havia aproximado a física moderna do misticismo oriental. Duas visões de mundo que nas décadas seguintes retomariam o diálogo no âmbito da ciência, saúde, filosofia e metafisica.

Artigo de Marcelo Madeira


Entenda o Princípio da Complementaridade concebido por Niels Bohr:

A natureza da matéria é dual e os aspectos ondulatório e corpuscular não são contraditórios, mas complementares.

A natureza corpuscular e ondulatória são ambas detectáveis separadamente e surgem de acordo com o tipo de experiência.

Ou seja, dependendo da metodologia da experimentação, dependendo do procedimento da observação, teremos resultados diferentes.

Quando Niels Bohr foi condecorado pelo Rei da Dinamarca, ele escolheu o brasão com o símbolo do taoísmo e os dizeres em latim: Contraria sunt complementa – Os opostos são complementares.

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