Quem eram os Sofistas?

O instrumento da democracia 

No século V a.C., conhecido como o Período Clássico, o mundo grego vivia seu apogeu sócio, econômico, político e cultural. E foi justamente nessa época que se desenvolveram as pólis ou cidades-estados. 

A partir das reformas de Clístenes surge a democracia, uma forma de governo baseada na isonomia, com uma maior participação dos cidadãos gregos. Apenas os estrangeiros, escravos e mulheres não exerciam a política. 

O domínio da expressão verbal, a articulação de longos discursos e da retórica, acentua-se com a necessidade dos homens exporem suas idéias. Os foros, os tribunais e as praças públicas ficavam cheios de homens com discursos inflamados, tentando persuadir seus interlocutores, mudar idéias e pontos de vistas. Surge assim, a arte da persuasão e da oratória.

A habilidade do homem em manusear as formas de argumentação acentuada no domínio da eloqüência e da gramática.   

É nesse contexto de ebulição cultural que surge os sofistas, homens de retórica, instrumento indispensável na assembléia democrática. 

Um discurso sofisticado 

O ambiente democrático das pólis propiciava as discussões em torno do homem e seu meio. A questão da cosmologia e a busca da arché (o princípio de todas as coisas), presentes no pensamento pré-socrático, não é mais preocupação corrente para classe emergente de comerciantes.

Há um novo interesse em levantar questões de cunho antropológico, político e moral.  

No regime aristocrata a virtude areté era ética, enquanto para os cidadãos participantes da pólis, a areté era política, e tinha a sua maior expressão na Justiça. As leis escritas delineavam os critérios do justo e do não justo. Cabia, então, ao homem da pólis desdobrar as leis.  

Surge, assim a necessidade de refutar opiniões, contradizer, criar certa inquietação para que se possa, no final, levar os ouvintes a aceitar novos critérios. No discurso político a persuasão é o elemento chave. Etimologicamente, a palavra per + suadere vem do latim remoto e significa aconselhar, resolver, decidir, determinar. 

Os sofistas, de certa forma, contribuem para o debate sobre o homem e sua cidadania. Eram pessoas estudadas, mestres da virtude política e da retórica, que em troca de moedas discursavam aos cidadãos. Elaboravam questões pertinentes ao homem independente de sua linhagem divina. Ensinavam que o certo e o errado, o bem e o mal tinham de ser medidos de acordo com a necessidade do homem.  

Não é apenas o fato de fazer do ensino um ofício, pois eram na maioria comerciantes e não aristocratas, que levaram os filósofos a chamá-los de mercenários do saber. Acusavam a sofística de terem um discurso oco, verossímil, cheio de imagens, metáforas e palavras de efeito. Abusavam de recursos da linguagem para a persuasão porque estavam mais atentos à defesa de suas idéias do que propriamente a verdade em si.  

Uma arte ilusionista 

O filósofo grego Platão foi um dos mais importantes e criativos pensadores do período clássico. Sua obra escrita é composta de 27 diálogos nos quais, na maior parte deles, Sócrates é o personagem principal. Em alguns de seus escritos, Platão dedica uma profunda crítica à sofística, tomando a oratória como uma arte persuasiva tanto para o bem como para o mal. A sutileza do sofista consiste em revelar apenas uma “falsa aparência de ciência universal”.  

Platão se preocupava com questões que pudessem definir melhor a arte sofista. Chega, até mesmo, a igualar o sofista como um artista da mimética, pois, “quem afirma ser capaz de produzir e executar, por uma única arte, todas as coisas, até que as vende por uma quantia bem pequena, afinal não fabricam senão imitações e homônimos das realidades”.  

A mimética é composta de duas partes; a arte da cópia onde há a fidelidade nas proporções, cores e dimensões e a arte do simulacro, ou seja, a cópia da cópia, distante três graus do original. Por isso, os sofistas se refugiam na verossimilhança.  

Há um talento, nos sofistas, para manusear a linguagem, criar lógicas que são próprias apenas em determinadas realidades e não no real em si. A capacidade de articular frases de efeito, imagens e metáforas  usando a linguagem como a expressão do aspecto da realidade.

O recurso lúdico já se manifestava nas rapsódias gregas que cantavam os poemas épicos de Hesíodo e Homero, e tem no discurso dos sofistas um papel decisivo na habilidade argumentativa.  

Artigo escrito por Marcelo Candido Madeira.


Filósofo. [do gr. Philósophos, pelo lat. philosophu.] Adj. 1. Que cultiva a filosofia. 2. Aquele que procede sempre com sabedoria e reflexão, que segue uma filosofia de vida. 

Filosofia. [do gr. Philosophía, “amor à sabedoria”, pelo lat. philosophia.] 1. Estudo que se caracteriza pela intenção de ampliar incessantemente a compreensão da realidade, no sentido de apreendê-la na sua totalidade, quer pela busca da realidade capaz de abranger todas as outras, o ser (ora “realidade suprema”, ora “causa primeira”, ora “fim último” , ora “absoluto”, espírito, matéria…) quer pela definição do instrumento capaz de apreender a realidade, o pensamento (as respostas às perguntas: que é a razão? O conhecimento? A consciência? A reflexão? Que é explicar? Provar? Que é uma causa? Um fundamento? Uma lei? um princípio? Etc…), tornando-se o homem tema inevitável de consideração… 2. Conjunto de estudos ou de considerações que tendem a reunir uma ordem determinada de conhecimentos (que expressamente  limita seu campo de pesquisa, p. ex., à natureza, ou à sociedade, ou à história, ou a relações numéricas, etc…..) 

Sofista. [Do gr. sophistés, “sábio”, posteriormente “impostor”, pelo lat. Sophista.] S. 2 g. 1. Filos. Cada um dos filósofos gregos contemporâneos de Sócrates que chamavam a si a profissão de ensinar a sabedoria e a habilidade, e entre os quais se destacam Protágoras (480-410 a.C.), que afirmava ser o homem a medida de todas as coisas, e Górgias (485-380 a. C.) que atribuía grande importância à linguagem. Os sofistas desenvolveram especialmente a retórica, a eloqüência e a gramática. 

Sofisma. [Do gr. sóphisma, “sutileza de sofista”, pelo lat. sophisma.] S. m. 1. Filos. Argumento aparentemente válido, mas, na realidade, não conclusivo, e que supõe má fé por parte de quem o apresenta; silogismo crítico. [Cf. paralogismo.]  2. Filos. Argumento que parte de premissas verdadeiras, ou tidas como verdadeiras, e chega a uma conclusão inadmissível, que não pode enganar ninguém, mas que se apresenta como resultante das regras formais do raciocínio, não podendo ser refutado. 

Sofisticar. [de sofístico + ar] V. t. d. 1. Sofismar 2. Falsificar, contrafazer, adulterar. 3. Tratar com sutileza. 

Mimeo. [Do gr. miméomai, ‘imitar (por gestos)] imitação, mimiografia. 

Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa.  

2a. edição. Editora Nova Fronteira.  

Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. 

Sofistas.  – Assim se chamavam os filósofos gregos que no século V a.C. eram mestres da “sabedoria” e da e da eloqüência. Os sofistas não formavam uma escola unida. A única coisa que tinham em comum era a negação da religião, uma explicação racionalista dos fenômenos da natureza, um relativismo ético e social. O grupo principal dos sofistas (os primogênitos) era partidário da democracia escravagista e tinham em geral uma concepção materialista da natureza. Protágoras, Hípias, Pródico, Antifon foram os primeiros educadores enciclopédicos da antiguidade. Interessaram-se especialmente pela gnoseologia.  Protágoras ensinava que todas as coisas fluem e que a sensação é a única fonte do conhecimento. O homem, dizia, “é a medida de todas as coisas”. Alguns sofistas chegavam a conclusões céticas sobre o ser e o conhecimento. Assim Górgias sustentava as três seguintes teses: 1) nada existe; 2) se alguma coisa existe, não podemos conhecê-la; 3) ainda que pudéssemos conhecê-la, não poderíamos fazê-la conhecer os demais. Os sofistas do campo aristocrático, Crítias e Hipódamos, inclinavam-se à filosofia idealista. A sofística é um conjunto de procedimentos empregados sobretudo durante o século IV a.C. pelos sofistas, que se transformaram, segundo a expressão de Aristóteles, em mestres da “sabedoria imaginária”. 

Sofística. – Emprego em discussões e demonstrações de argumentos falsos, chamados sofismas, quer dizer, subterfúgios dissimulados sob uma aparência de verdade. Em oposição a dialética, que exige que se tome em consideração as circunstâncias concretas de um acontecimento a sofística invoca a semelhança exterior dos fenômenos e menospreza o seu encadeamento.  

Pequeno Dicionário Filosófico 

M. Rosental e P. Iudin. 

Livraria Exposição do Livro, 1959 


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